
Fala comunidade!

Carla Lee, 61 anos
Minha experiência com a abordagem da Marília na Mucíná se resume em prazer e liberdade de uma linguagem genuína através do movimento na relação com outra pessoa. Uma vivência leve, lúdica e única.

Pedro Vageler, 51 anos
Entrar para o GDI foi muito arriscado. Não sabia nada de dança, imagine de improvisar! Foi um pulo no desconhecido. Um pulo que em mim gritava para ser dado. Então me arrisquei....
Quase um ano depois, sou mais feliz do que antes! Mais conhecedor de mim, do meu corpo, da minha dança improvisação, do meu humor e do meu desconhecimento de tanta coisa. Uma pessoa mais feliz. Arrisque!!! Venha!!!

Camila Luchetti
Meu nome é Camila Luchetti, sou profissional de educação física com a proposta Menegatti.
Procurei a vivência da Marília por curiosidade, pois sempre me chamou a atenção a proposta do “contato improvisação”.
Iniciei a vivência sem expectativa alguma, procurei me manter presente na atividade, sem juízo de valor do que era propostos de como me sentia ao experimentar. Mas claro, em muitos momentos questionamentos surgiam.
Vergonha? Deixa vir, deixa ir! E aos poucos fui deixando essas travas de lado e apenas vivenciando o que estava sendo proposto.
Foi muito gostoso, me senti livre e muito bem durante toda a prática. Sensação de bem-estar! 3h de prática pareceram 30 minutos.
No último segundo da aula, a professora foi afastar suavemente com o dedo um cabelo que estava no chão e eu, de maneira descontraída imitei seu gesto, remetendo algumas vivências propostos naquele dia.
Nesse exato instante, senti uma onda de sentimento chegando e uma memória veio à tona!
Lembrei que quando eu tinha mais ou menos 9 anos, eu estava “intimamente”imitando os gestos de uma professora de educação física que admirava, e a mesma percebeu, encarou negativamente, como se eu estivesse tirando sarro (e eu não estava mesmo, não sabia nem que ela estava percebendo) e a mesma me deu uma forte bronca na frente de todos! E naquele momento tenho a impressão que criei uma trava em expressão, como uma decisão, para não viver mais aquela exposição.
Trava essa que talvez possa ter iniciado um movimento de liberdade na primeira vivência de “contato improvisação”.
Resumindo, sem pretensão, tive um resultado de sessão de terapia, sem nem sequer dizer uma palavra.
A aula não é nem um pouco clichê, mas a frase seguinte é: foi libertador!

Victor Miriam Sebastião
Uma primeira coisa acho que tem a ver com a confiança no processo e também com a relação entre o compromisso e aquilo que você vai colhendo no caminho. A minha escolha de estar no GDI é tão prática quanto subjetiva: eu quero ter ferramentas para estar no corpo.
Outra coisa é saber que eu posso contar com uma atividade semanal para me colocar em movimento. Poder me dedicar à escuta do corpo com a guiança de alguém, é uma preciosidade.
Nesse processo, vou descobrindo muito sobre os meus interesses, desafios e sobre questões que quero investigar e desenvolver porque pra minha vida é importante.
O GDI também tem sido um laboratório sobre a inseparabilidade do corpo que dança e o corpo que fala sobre a dança que dança. Isso tem me ajudado a estar mais presente com a minha atenção durante o movimento, sem perder a qualidade sensível. Eu me percebo desenvolvendo uma maior capacidade de ler o que sinto, de me mover com isso e de saber falar sobre.
De modo geral, algo que fica bem evidente para mim é como a pesquisa com a improvisação transforma qualquer dança e como isso acaba transbordando pra vida.

Juliana Braga, 47 anos
Para esse ano eu tinha como meta pessoal (entre outras) “fazer atividades que estimulem a minha criatividade” e “fazer coisas que me dão prazer”. E, assim, no começo do ano, surgiu a oportunidade de fazer parte do GDI. Grupo de Dança Improvisação. Eu não tinha a menor ideia do que se tratava. Um salto no escuro. Só fui. Ainda bem que eu fui! Participar do GDI me trouxe muitos frutos. Construí um par de pés que me dão equilíbrio, aprendi que observar é tão importante quanto mover-se, ganhei vocabulário e repertório de movimento, construí relações de cumplicidade e confiança e, principalmente, me diverti demais.

Natália Augusto Silva
Antes de fazer o curso de formação com Marília Carneiro, eu estava estagnada, com fome e sede de movimento. Continuo com esse desejo imenso de mover, mas sei de onde partir e para onde ir, pois adquiri dispositivos metodológicos que me ajudam a não ficar mais na inércia, consigo atuar para criar!
Contato Improvisação, na minha visão, era uma prática de dança para ser feita sempre com outra pessoa ou um grupo de pessoas. Fui surpreendida no curso de formação, quando aprendi que a frase “Dança solo não existe” de Steve Paxton se refere primeiramente à gravidade!
Temos que nos relacionar primeiro com o próprio corpo, as sensações que percebemos e podemos refinar ao nos colocarmos no chão de dança. Treinamos isso também na proposta desafiadora do solo training!
E que delícia participar do Grupo de Dança e Improvisação! Desenvolvi mais maturidade para estar em grupo, ao entender que devemos fazer somente comentários pertinentes para a prática, podemos correr riscos na arena de improvisação, principalmente ter senso de humor e se divertir!
Assim aprendi a me relacionar de outras maneiras. Eu sempre achei que sabia muito trabalhar em grupo, porque sempre adorei estar em coletivos. Mas aprendi que nem tudo eu sabia! Como é precioso se colocar na posição de dúvida e aprendizado! Entendi que ter mais curiosidades que certezas nos coloca em movimento!
O tempo é precioso nesse trabalho, não se gasta tempo, tomamos o tempo como um aliado para criar formas. “A forma informa!” E o que formamos de lá para cá?
Uma coleção! Bases que podemos identificar para jogar, improvisar. Como é bom estar nessa espiral pedagógica que não tem fim, porque é relacional e investigativa! Nela encontro muitos fundamentos que se cruzam e criam porque os estudamos ativamente, no corpo que dança! Viva o movimento! Viva a Dança! Voltei a me sentir viva!

Cris Finoqueto
Sobre a minha experiência no GDI, já havia lido sobre dança Contato-Improvisação, Steve Paxton e assistido vídeos sobre a dança. Quando surgiu a oportunidade, morando em Campinas, de vivenciar essa prática, não pensei duas vezes. Se posso fazer um destaque específico, faço da qualidade da condução da Marília Carneiro. Dentre suas habilidades, encontra-se a criação de um ambiente criativo, crítico, original, imagético e acolhedor. Meu grupo de trabalho foi muito além do tabuleiro. Houve a consolidação de um grupo íntimo, nada pessoal e muito próximo. Não há paradoxos para quem vive/viveu um grupo de GDI de Marília, a construção de conhecimentos, de trocas, de laços se dá de forma potente e muito bem conduzida. Desejo àquele/àquela que se propuser a essa experiência que se mantenha atento/a e aberto/a, pois coisas acontecerão e elas serão libertadoras.

Maialu, 54 anos
Conheci a Dança Improvisação com a Marília e fiquei apaixnada. Primeiro porque desmistificou a dança pelos movimentos coreografados, precisos e contados. Depois porque qualquer pessoa pode dançar.
A Dança Improvisação me trouxe um relaxamento corporal muito grande, foi muito agradável, e uma sensação de presença infinita! A minha criatividade ganhou força e a minha criança interior teve espaço para despertar! Foram 3 horas que eu nem vi passar. Já penso em fazer de novo!!

Juliana Bueno
Vi o anúncio e entrei em contato: "Olha, Marília, sou formada em Artes, mas nesse momento o que eu busco é uma atividade pra ter prazer", "Pois chegue. Aqui, até que você encontre o prazer, é apenas ele que você estará procurando". Pronto, matriculei.
As aulas com a Marília foram incríveis, não se trata apenas de dança, não se trata apenas de técnica. O improviso é uma ferramenta na vida, as aulas de dança foram incrivelmente complementares às reflexões que eu fazia em terapia, por exemplo. Porque improvisar é estar aberto e atento aos desejos e movimentos, seus e do mundo ao redor. Não é isso a vida?

Lucas Rosseto
O curso RePedaCI - Reflexões Pedagógicas em Contato Improvisação - que fiz em 2017, foi extremamente significativo na minha formação como improvisador, como educador e como ser sensível e pensante. Foram reflexões que, além de me proporcionarem o conhecimento de camadas estruturantes do CI, tanto da forma dançada quanto do movimento artístico sob um prisma mais panorâmico, o que até então eu experimentava apenas num nível tácito, possibilitaram que eu empreendesse em outras atividades profissionais/pessoais os conceitos aprendidos ao longo desse curso. A qualidade da orientação e do processo pedagógico do curso, tecido impecavelmente pela profa. Marília Carneiro, são reflexos de seu zelo e da consistência de seu trabalho. O que mais me marcou nesse curso foi o caráter prático da aprendizagem: nós refletíamos e levantávamos materiais sobre minhas dúvidas concretas, vindas da prática de ensino com uma turma de iniciantes em CI. Recomendo fortemente a quem queira se aprofundar no corpo, na pedagogia, no Contato Improvisação, na história da arte, no processo grupal de ensino e aprendizagem, entre outras inúmeras pontes que se pode fazer entre esse trabalho e outras áreas do conhecimento.

Simone Carlos Mendes, 54 anos
Me senti num ambiente seguro e instigante para experimentar novas linguagens: testemunhei e vivi descobertas, apegos e desapegos, reconfigurações... fiquei com uma cosquinha e um encantamento!

Sônia, 58 anos
A Dança Improvisação me levou para vários lugares. Foi uma experiência única porque eu tive a oportunidade de perceber o outro, permitir que o outro me percebesse. No final do trabalho além da parte física ter sido extremamente mexida, eu saí com a sensação de uma experiência nova, como se tivesse sido uma terapia. Me fez repensar várias coisas sobre como eu entro em contato com o mundo, onde eu me fecho.
Eu acho que se eu praticasse regularmente eu iria evoluir muito como pessoa.
Quem puder, faça. E quem puder, mais ainda, continue.

Priscila
Participar do intensivo de Contato-Improvisação da Mucíná com o método Marília Carneiro foi muito especial e um divisor de águas na minha vida.
Desde antes da pandemia eu já havia entrado em "quarentena interior" devido a processos pessoais, e, depois de anos de isolamento, eu me vi enfrentando muitos desafios no contato com outras pessoas.
Me permiti viver várias experiências que auxiliaram nesse caminho de voltar a interagir, e, a cereja do bolo, com toda certeza, foi essa experiência.
Eu me senti num ambiente seguro e me permiti entrar na onda criativa dessa dança, Contato-Improvisação, que foi incrivelmente conduzida pela Marília.
O método que ela vem construindo é de uma criatividade ímpar e para ser mais exata, é fantástico!
Além de trazer muita segurança para, literalmente, se jogar!
Agradeço a Marília e a Mucíná por abrirem esse espaço na formação e proporcionar momentos mágicos e de cura através do movimento e do contato com as pessoas.
Agradeço às alunas que acolheram e foram parceiras nessa construção intensa, que ampliou o meu repertório de movimentos e conhecimentos.
E agradeço também a todes que estiveram presentes compartilhando esse momentos que ficarão guardados na memória com muito carinho.

Rafael Barzagli
A 'Oficina Contato improvisação e Viewpoints' foi pra mim uma grande sacada, uma vez que já conhecia as duas abordagens de construção de pensamentos cinéticos, cada qual com suas prerrogativas únicas. O primeiro com uma abordagem de experiência sensório/motora e muitas vezes afetiva, propõe um enraizamento no presente através dessa percepção do seu eu total (seja lá como cada qual se relaciona com seu eu) e no segundo, o mesmo enraizamento no presente se faz explícito nas mais variadas formas de improvisação, com recursos metodológicos que privilegiam a construção cênica fresca, renovada, sem hierarquia, fazendo com que questionemos vontade e necessidade em um grupo. Mirando a chegada mas sem pressa e sem expectativas exageradas ou negligenciadas, acredito que o caminho que essas duas abordagens ao colidirem em mim sugeriram mais uma vez essa potência que o corpo por si e em relação pode ter e realizar, com multiplicidade de discursos, posições e experiências.

Carolina Papini Silvestrini
Um espaço para quem busca autoconhecimento e desenvolvimento da consciência corporal. A Marília possui grande sensibilidade para a análise e escuta do corpo de cada um, reconhece potencialidades e limites que são trabalhados de forma gradual, resultando em corpos mais vivos e vibrantes.Um espaço de educação e diversão. É uma alegria fazer parte de um grupo de formação, recomendo 100%.

Camila Torato Lopes
Todos os momentos em que pratico Contato Improvisação no chão de dança da Mucíná constituem experiências únicas. Com o tempo de prática (desde 2014) percebi que Consciência corporal, Concentração, Comunicação, Presença e Diversão são de fundamental importância para meu crescimento pessoal e profissional. Além disso, uma vontade grande de buscar conhecimento e experimentar começou a surgir em mim, tanto no contexto da própria prática de Contato Improvisação quanto em outros tempo-espaço da minha rotina. Para essa percepção foi fundamental a metodologia específica utilizada pela Marília Carneiro. De início houve uma grande contribuição terapêutica para meu autoconhecimento e auto-estima. Posteriormente, cresceu a curiosidade e vontade de obter maior bagagem técnica para aprimorar o corpo e assim poder aproveitar mais as danças, me divertir mais, explorar mais. O contato com materiais que Marília utiliza em sua metodologia, como os de Steve Paxton, Nancy Stark Smith, Ivaldo Bertazzo e Alito Alessi foi fundamental para esse meu aprimoramento. Depois de dizer tudo isso, eu só poderia recomendar para qualquer pessoa que queira viver melhor, a experiência com a Mucíná. Ainda mais, para quem quer aprofundar estudos e práticas no campo do corpo. Quero mais. Vamos dançar!

Andressa Boel, Artista visual e estudante no curso de doutorado na Unicamp. Em Uberlândia, é do grupo de performances e ações urbanas Strondum.
Fiquei imensamente feliz por poder vivenciar esse primeiro encontro com o Contato e Improvisação e com os View Points no curso proporcionado pela Marília e pela Ana Flávia. Foram momentos de intensos estudos corporais, concentração e diversão com o grupo que fez parte da residência. Recomendo o curso para os amigos e espero poder participar de próximos momentos!

Isabel Odenheimer Barros
Eu sou jornalista com alguma experiência na área do teatro musical. Pra mim, o workshop de Contato Improvisação e ViewPoints veio como uma forma de me enxergar como corpo criador e principalmente trabalhar a minha desconstrução e tudo o que eu posso trazer de novo pra cena. No teatro musical muitas vezes trabalhamos com padrões estéticos pré-determinados, então foi muito libertador trabalhar dessa forma. As improvisações foram muito bem conduzidas pelas professoras e o processo foi muito enriquecedor como um todo, provocando reflexões no meu trabalho até hoje.

Participante de grupo semanal
Entrei meio que por acaso nas aulas de improvisação. Logo de início achei tudo muito estranho. Ver todas aquelas pessoas jogadas no chão, fazendo movimentos sem qualquer “ordem”. Depois do primeiro impacto, comecei a me entrosar e entrar no jogo. Confesso que comecei a gostar. Passei a me sentir mais à vontade com os outros e com meu próprio corpo. Nunca me liguei muito nas explicações mais técnicas. Queria apenas estar, me fazer presente e me deixar levar pelo movimento do contato e improvisação. Espero continuar e aprender novos movimentos que me ajudem a testar os limites do meu corpo.

Ex-aluno, Participante de grupo semanal
Desde a primeira aula, fiquei encantada pela técnica. As palavras que surgiram na minha cabeça naquele dia eram «FESTA DOS INTROVERTIDOS». Para mim, era ótimo. Nós, alunos, pessoas que ainda não se conheceram, estrangeiros, ficamos fazendo uma coisa muito bizarra. Cada um fazendo a sua dança. Estranho, mas neste ambiente eu me relaxei, e não tinha dúvidas do tipo «O que eu devo fazer?». A dança era pura improvisação. A «meditação» no início da aula auxiliou a conectar com o meu próprio corpo e a consciência: plano físico e energético (se eu entendi corretamente estes conceitos). Tudo era permitido. Tudo era certo. Eu fiquei dançando, e olhando as danças dos outros participantes. Estava gostando da minha dança, das danças dos outros (cada um faz do seu jeito, tem seu estilo, seu repertório), das sensações no corpo, queria fazer algo diferente, enriquecer a minha performance. Cada um ocupa seu espaço, nem olha para os outros, as nossas cinesferas se cruzam, umas pessoas ocupam mais espaço, outras menos, umas se movimentam com mais confiança, outras estão mais cautelosas e procuram evitar as colisões, não incomodar o outro, mas, ao mesmo tempo, não param de dançar, de explorar espaço ao seu redor. Isso me fez pensar na vida fora da sala de aula. Isso me lembra a vida «real», a dança das pessoas no mundo «selvestre», a luta, invisível, mas inevitável, pela dominação, pelo lugar mais confortável em grupo. Mas estou aqui, na sala, e somos todos amigos, somos iguais, e ninguém quer fazer mal para o outro. Eu brinco com cinesferas das pessoas, olho como elas mudam de suas direções, olho quem me dá espaço, e quem não dá. «Fascinante!».
Com passar do tempo, começamos a interagir, se tocar, fazer as coisas juntos, criar montanhas vivas dos nossos corpos. Explorar corpos dos outros, novas sensações. Sem todas as convenções sociais, «belos» produtos da nossa civilização, sem os padrões mentais aprendidos, numa liberdade (quase) absoluta. As nossas danças ficaram mais complexas e divertidas, e, desde a primeira aula, muita coisa aconteceu, mas as minha primeiras impressões ainda são as mais fortes. Para mim, o CI ainda permanece misterioso e, em grande parte, fica limitado à minha própria experiência, íntima e preciosa. O CI é meditação, é liberdade, é amor. Eu gostaria de ampliar o meu conhecimento sobre o CI, mas, na verdade, o que eu mais gostaria é de CONTINUAR - simplesmente continuar praticando, sem muita pesquisa e reflexão: as palavras mentem, as sensações são mais honestas.

Ex-aluna, Participante de grupo semanal
(...)
Para mim, o contato te permite liberar energias condensadas, porque quando você se abre para o outro e o outro se abre pra você, cria-se um campo magnético que parece bloquear a aparição de sensações ou sentimentos ruins e te tornam completamente aberto a somente querer estar presente no momento.
(...)
E, desde então, todas as terças feiras, das 14 às 16, foi possível tornar essas horas do meu dia e da minha semana sagradas e destinadas única e completamente para uma pratica onde todos os meus problemas ficavam do lado de fora, junto das estrelas, e eu me mantinha do lado de dentro, renovando minhas energias através de trocas e de interações sublimes.
(...)
Em relação ao que eu aprendi da teoria do Contato-Improvisação...parece estranho dizer, mas sinto que a mesma carga emocional que o Ci carrega para mim existe em forma de carga de conteúdo sobre o curso. As aulas me ensinaram não só sobre todas as lindas etapas do underscore, desde a chegada energética até o agradecimento, como também sobre distribuição de peso, modos de realizar a melhor queda possível, formas de tocar outra pessoa e todas as camadas que existem entre o ar e a pele.
Não cheguei a assistir muitos vídeos de danças de contato improvisação e nem de pesquisar muito em casa. Tudo que absorvi dessa dança foi adquirido dentro da sala multiuso. E sinto fortemente que absorvi da melhor e mais plena maneira que eu poderia. Sinto que essa sala guarda inúmeras historias minhas, vários pensamentos e desabafos, várias interações com outras pessoas que me ensinar algo completamente diferente. A sala também guarda meu desejo por conhecimento e minha vontade de explorar o corpo humano e a nossa esfera. Me instiga a querer explorar todos os níveis, desde o chão até o corpo solto no ar.
Uma das coisas mais especiais que aprendi na aula de contato foi a importância de ter um local para desligar a cabeça dos problemas cotidianos e simplesmente estar presente. Um local para me abrir ao mesmo tempo que me fecho na minha própria mente. Um lugar para sentir de fato o significado de cinestesia.

Ex-aluno
Para mim, além disso, foi também um meio de me conhecer melhor, explorando meus limites e capacidades físicas e sociais. Trabalhei muito o contato propriamente dito, contato do meu corpo com o do outro e dos outros, buscando liberar sensações e movimentos a que não tinha acesso antes. E foi também incrivelmente um meio de conhecer o outro pelas suas reações e respostas ao movimento, ao toque, ao estímulo.
Senti que ainda não conheço meu corpo direito, não sou mestre de seus movimentos e reações, mas me agrada muito descobrir esses meandros escondidos de mim mesmo. Esse trabalho liberador e lúdico contribui imensamente nesse autoconhecimento.
Aprendi também a trabalhar a presença, a chegar por inteiro e estar presente no meu corpo, isso durante uma boa parte da aula. Estou bastante contente com esse resultado também.
Finalizando agradeço esta oportunidade, e a disponibilidade do Lucas, que conseguiu guiar o grupo nesses meses e nos levar por essa viagem do corpo e do movimento. Obrigado!

Ian Lopes, Estudante de Ciências Sociais
O Contato improvisação quebra várias barreiras por ser como é. Por exemplo: as pessoas estão dançando mas não estão procurando seguir alguma coreografia.
Elas estão dançando mas também não estão procurando comunicar alguma coisa com o corpo para um público ou para outros dançarinos.
Elas estão procurando a entrega no fluxo do movimento, e as formas que surgem daí podem ser belas ou esteticamente organizadas, mas esse não foi o objetivo.
Quem observa também entra em sintonia, e parte de outra qualidade observadora. Curiosa, conectada.
Quem observa também dança.
É possível dançar consigo mesmo dentro da Jam e isso é lindo porque não exige do dançarino nada além de seu corpo e de sua vontade de estar ali.
(...)
Para improvisar é preciso sacar uma certa mudança de paradigma. Por isso existe conhecimento sendo construído e ensinado pelas pessoas que praticam o CI. Mas esse conhecimento é singelo e bem pragmático, o que difere muito de qualquer outro sistema de técnicas ou sistema teórico.
É aí que entra a investigação do movimento. Aprende-se anatomia com o próprio corpo (e observando e tocando os outros corpos). Constata-se a física do movimento.
Essa disposição a investigar, esse estado de atenção ao corpo e ao espaço; é a tal mudança de paradigma. Ela, pra mim, está bem expressa na instrução comum nas aulas de CI: “a gente quer usar o olhar como um apoio no espaço”.
Eu diria que o CI, além de ser uma investigação de movimento científica que busca conhecer a natureza da interação entre corpos de massa -peso/velocidade/energia/etc- nos vôos, rolamentos, puzzles, suspensões e danças variadas exercitando os mais inusitados músculos do corpo; é também uma investigação de auto-conhecimento e conhecimento do outro, e assim exercita um músculo invisível: o músculo empático.
Sou muito grato ao trabalho de vocês, sustentando a prática e possibilitando que a gente descubra esse lugar da consciência corporal.